Há certo tempo atrás, eu CRIEI a teoria dos pontos, pois eu tenho um grande problema com nomes, não sou bom em dar nome às coisas, aos bois, não sei sintetizar em poucas palavras tudo que eu quero dizer, mas me dei conta que uma coisa muito menor pode resumir, representar, explicar, ao mesmo tempo que confunde, desvia, disfarça, remove, cala, encerra; o ponto. A maneira com que pontuamos uma frase, a conotamos, muitas vezes dá mais sentido ao que foi dito do que a frase
A interrogação, o porquê, a dúvida, a incerteza, o medo, o erro, a retranca, a falta de tato, o recuo, a curva, as voltas, a falha. Acho que se analisar as minhas atitudes, chegarei à conclusão que uma enorme fantasia de interrogação me cairia bem, não o faço, pois não é a interrogação que eu quero ser, tento fugir dela, apesar de muitas vezes não conseguir. A questão é que eu não gosto muito de me fazer entender, de ser transparente, posso dizer que me abrir aqui onde qualquer um pode ver é uma forma um tanto inocente e muito pequena de tentar mudar esse fato da minha personalidade, não por me dizerem que ele não é bom, mas por ter vontade de ser diferente, o fato é que todos temos que começar por algum lugar.
A seguir, a exclamação. Pode parecer, mas eu não acho que seja um sinal de certeza, há uma tênue diferença entre certeza e empolgação, loucura, momento, explosão, avanço. Há momentos onde tudo que queremos é exclamar, gritar, soltar, deixar que todos saibam, que todos ouçam, mas essa vontade não necessariamente exprime uma certeza de que faze-lo é certo, pelo contrário, as vezes nos arrependemos mais de gritar do que ficar em silêncio, apesar de gritar ser mais gostoso.
Falando em silêncio, sou levado às reticências, os livros de português dizem que tal seqüência de três pontos no fim, início ou meio de uma frase, indica um pensamento ou idéia que ficou por terminar e que transmite, por parte de quem exprime esse conteúdo, reticência, omissão de algo que podia ser escrito, mas não o é. Silêncio. É ao silêncio que me remete o uso das reticências. Não apenas o silêncio medroso de quando não sabemos ou não temos coragem de falar algo, mas o silêncio que nos toma, quando somos surpreendidos, nos sentimos tão dominados que palavras poderiam simplesmente estragar todo um momento, toda uma idéia, um olhar, um beijo. Gostamos de falar, mas às vezes o silêncio pode dizer muito mais que todas as frases juntas.
Tudo isso cansa, a vida cansa, uma solução para isso não é o término, mas sim a pausa, precisamos sempre de uma pausa, um tempo para pararmos e nos lembrar do passado, aí então usamos a vírgula. Pequena, simples, às vezes ignorada, superada. Alguns aproveitam-se de nossas vírgulas para se enfiarem em nossas idéias, não entendem que uma vírgula é uma pausa temporária, não um fim.
Terminando pelo fim, temos o ponto final. O menor, o mais simples, o mais direto, a razão, a certeza, a coragem, o acerto, a objetividade, o término, a força, a rispidez, o silêncio final. É belo, é bom poder contar com o ponto final, mas eu ainda creio que ele é muito superestimado, qual a graça da certeza? A certeza não nos enriquece, não nos deixa espaço para o crescimento, o fim não prevê o começo e é sempre mais animado começar do que terminar, o fim tem sua glória, mas o começo é sublime, o começo é empolgante, divertido, apaixonante.
Quero terminar meu primeiro post não como um fim, mas como um começo, o começo de uma nova era, de um novo amor, de um novo passa-tempo, de uma nova vida, de uma nova emoção. Portanto, não terminarei com um ponto final, deixo apenas aqui, minhas reticências:
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engraçado, leve e verdadeiro.
ResponderExcluirassim como tu.
UMA TEORIA NUNCA FOI TÃO PERFEITA.
gostei muito, mesmo.
beijo ;)